Ouvidoria da Mulher debate saúde mental e vida profissional da mulher em roda de conversa

O evento reuniu profissionais do MPCE, do TRT da 5ª Região e da Polícia Civil do Ceará para falar sobre os temas

O evento reuniu profissionais do MPCE, do TRT da 5ª Região e da Polícia Civil do Ceará para fala...Ouvidoria da Mulher debate saúde mental e vida profissional da mulher em roda de conversa

Em mais uma edição da roda de conversa realizada pela Ouvidoria da Mulher, foram abordados assuntos, como o equilíbrio da saúde, demanda profissional e pessoal e saúde mental. O evento, especial pelo mês das mães, aconteceu na manhã desta terça-feira, 23/5, na sala de treinamentos do TRE.

A juíza ouvidora e ouvidora da Mulher, Kamile Moreira Castro, abriu o evento, ressaltando a importância da troca de experiências que deve caracterizar o encontro, como uma audiência pública, no intuito de aproximar as pessoas da Ouvidoria.

A cantora Kátia Cilene embalou a roda de conversa, cantando sucessos do chamado 'forró das antigas', de quando fazia parte da banda Mastruz com Leite. A intérprete, conhecida pelos sucessos "Meu Vaqueiro, Meu Peão" e "Brincar de Viver", também compartilhou sua experiência na música nos anos 90, quando buscava equilibrar a vida pessoal e profissional em um ambiente predominantemente masculino.

A promotora de Justiça do Ministério Público do Ceará e coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Saúde (CaoSaúde), Ana Karine Serra Leopércio, ministrou sobre "Os impactos sociais da violência de gênero na saúde da mulher". A palestrante trouxe conceitos de gênero e violência de gênero, reconhecendo que apesar da evolução, é preciso avançar ainda mais na discussão dos temas. Segundo a promotora, as rodas de conversa "são importantes para despertar tanto na mulher, como no homem, essa conscientização, para que não repliquem atos que levem à violência de gênero", destacou. Trouxe ainda conceitos e exemplos das principais formas de violência de gênero, bem como as formas psicológicas.

A palestrante também apresentou dados de violência de gênero no Brasil. Falou das principais demandas identificadas pelo CaoSaúde e tirou dúvidas das participantes sobre casos específicos.

O profissional de Educação Física Emerson Ferreira falou sobre saúde mental e a importância dos exercícios físicos para uma melhor qualidade de vida. Ao falar sobre o projeto que desenvolve em Guaramiranga para donas de casa, ele destacou que "a questão da saúde mental está relacionada à obrigação, então quando eu tiro elas daquela obrigação, é uma forma de mudar aquela rotina delas e, por isso, não há necessidade de se tomar tantos medicamentos para ansiedade e outros problemas".

Com o seu trabalho no município, Emerson ressaltou a redução da procura por medicações e atendimentos. "A melhor forma de você manter sua saúde mental é se movimentando. O ser humano foi feito para se movimentar. A pessoa é quem decide se vai se manter sã com exercícios físicos ou com remédios anti-depressivos", alerta.

A juíza do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, Silvia Isabelle Ribeiro, falou sobre os reflexos de uma sociedade patriarcal nas relações de trabalho, onde, o "corpo da mulher é sempre visto como objeto de chacota". Ressaltou as primeiras normas trabalhistas, dizendo que "o direito do trabalho se confunde com o direito da mulher". Ela estabeleceu a diferença entre atividade produtiva e atividade reprodutiva, trazendo o exemplo de mães que encontram dificuldades ao serem contratadas, uma vez que os contratantes sempre questionam sobre quem criaria os filhos.

A magistrada chamou atenção para a aplicação do princípio da igualdade nas relações sociais, pontuando que "todos e todas nós somos destinatários desse princípio". Também trouxe à discussão o sentido do feminismo, ressaltando as lutas e conquistas femininas ao longo do tempo. "A emancipação feminina que chega a muitas de nós aqui, privilegiadas, não chega às trabalhadoras domésticas, que são, em sua maioria, negras", destaca.

"O que se espera de uma mulher na sociedade?", a palestrante trouxe o questionamento para abordar acerca do estereótipo de gênero, em que espera-se que a mulher tenha determinados comportamentos na sociedade. "A Justiça do Trabalho também é muito atenta a tudo isso, no que diz respeito a proteção da mulher", ressaltou.

A delegada de Polícia Civil do Ceará, Camila de Carvalho, abordou sobre "Violência psicológica contra a Mulher - aspectos legais e práticos". A palestrante fez uma digressão para mencionar a Lei Maria da Penha, publicada em 2006. Destacou as cinco formas de violência apresentadas no normativo e frisou a definição que o documento apresenta do que seria a violência psicológica. A delegada explanou também sobre o crime de perseguição reiterada ou stalking, apresentando exemplos sobre o caso. "Pra que a gente inicie a investigação, é necessário que a vítima faça a manifestação", ressaltou.

Acerca da violência psicológica contra a mulher, a palestrante trouxe dispositivos legais para definir e exemplificar a ação, bem como destacou a exigência da "condição de a vítima ser mulher, isto é, aquela que assim se reconhece" para tipificar o crime como violência psicológica. Por fim, apresentou os canais especializados para o atendimento às mulheres em situação de violência.

Ao final do evento, houve sorteio de brindes.

#PraTodoMundoVer

Banner retangular na horizontal de fundo azul com quatro fotos retangulares na horizontal. As fotos registram momentos da roda de conversa, com foco nos palestrantes. Na primeira foto, a promotora de Justiça do MPCE, Ana Karine, fala ao microfone; na segunda imagem, o professor de Educação Física, Emerson Ferreira, está em pé e fala ao público. Na terceira foto, aparece a cantora Katia Cilene com o sanfoneiro; e, na quarta e última imagem, a juíza do TRT da 5ª Região, Silvia Isabelle, fala ao microfone.

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